Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

A boa notícia...

É que a terra natal voltou a ter festa popular, 3 anos depois.

A má notícia é que, como faço parte da comissão, vou andar mais ausente aqui da blogosfera até à próxima semana.

Maaau, quem é que disse isso? Eu ouvi um "ainda bem!" misturado com outro "até que enfim!".

Pronto, nesse caso são duas boas novidades.

 

party

P.S.: A notícia extra é que o Amílcar já lá esteve ontem e, de certeza que aparece todos os dias. Ou seja, na próxima terça teremos aí nova história.

Como perder tempo

Aqui há coisa de 3 ou 4 dias, caí num daqueles momentos imbecis em que antes de dormir "vamos só ver um vídeo" e, quando regressamos à Terra, passaram 2h. Quem diz ver um vídeo, diz ler umas páginas, ouvir umas músicas, etc.. Estou certo de que conhecem a situação.

 

Acabei por ir dar com umas probabilidades engraçadas, e fiquei a achar que dava um post porreiro. Hei-de fazê-lo quando tiver mais vontade.

Para já, deixo-vos isto:

A probabilidade de alguém ter hemorróidas é de 1 em 25. Já a probabilidade de alguém descobrir que o seu filho/a é um génio é de 1 em 250.

Deixo-vos com a altamente útil conclusão: é 10 vezes mais provável ter hemorróidas, do que descobrir que um filho nosso é um génio. 

E mais, se a matemática não me falha (ou eu a ela!), uma em cada 6250 pessoas terão um filho génio, mas sofrerão também com chatices "hemorroidais". Não há gosto sem desgosto!

 

 

Depois de escrever isto, fiquei a pensar: «No fundo este post deveria intitular-se como perder tempo». E assim o fiz.

Cinco minutos

alarm

 

Ahh! Olhar para o despertador e ver que acordamos 5 minutos antes da hora em que aquele cretino nos arranca insultos de irritação. Haverá melhor sensação do que acordar de forma natural em cima da hora, tranquilo, sem barulhos ou vibrações?

Pois claro que há, que pergunta mais idiota!

 

Então, até que o dito cujo toque realmente, relaxas e organizas na cabeça a meio gás o que queres fazer hoje, levantas-te e regas a sanita seca da noite, enquanto bebes o que sobrou do copo de água na mesa de cabeceira. Tomas um duche, vais para a cozinha abrir o frigorífico e sei lá mais o quê, comes um pão duro mais seco que aquela rapariga que bem (ou mal) tentaste engatar no outro dia, e o raio do pão nunca mais acaba. Duro como tudo, e infinito ou lá o que o valha. E a boca cada vez mais seca, os lábios a colar um no outro e a saliva, toda absorvida naquela esponja ressessa que tens na boca.

 

«Mas porque raio não tenho eu aqui um iogurte ou outro líquido para empurrar este pão?».

É no meio deste pensamento que toca o despertador.

«A sério?» Como é que com tantas possíveis situações, o cérebro se decide a presentear sonhos deturpados de uma rotina matinal? Já não há respeito. Pior, só mesmo quando uma pessoa pára o despertador e sonha que voltou a programá-lo para 10 minutos depois. Claro que, na realidade, acaba por acordar com meia hora de atraso.

 

E pronto, ficamos a pensar na maravilha que seria uma pessoa conseguir fazer o que demora meia hora, em 5 minutos. Cinco minutos de sonho são suficientes para fazer uma data de coisas, era a solução para tudo nesta vida.

É f...lixado!

squirrel nut

 

1. E ficas na corda bamba entre morder e deixar marcas, ou segurar ao de leve e deixar escapar para o chão;

 

2. E a cada 2 segundos, aspiras pelos cantos da boca para que não chegue saliva ao objecto (como se não estivesse já lá desde o primeiro momento);

 

3. E essa coisa é tão grande que, mesmo que só a segures durante o tempo que o Ronaldo leva a arremessar microfones (ou a responder em campo), experimentas aquela sensação agridoce de alívio/dores nos maxilares.

 

Porque nós, seres humanos altamente racionais preguiçosos, bem sabemos que se pudermos fazer tudo numa só viagem, não vamos estar a fazer duas vezes o mesmo caminho.

Foi para isso que se inventaram as camisolas de materiais elásticos, que se transformam em sacos extra, ou a segurança das portas dos elevadores, em que um garrafão de água impede o fecho, até que o porta-bagagens do carro seja transportado para lá na totalidade. 

Terças com o Amílcar Soluções

O Amílcar é um barrigudo de 43 anos. Vive entre a casa da sua mãe viúva e os biscates que faz na região, alturas em que costuma alugar um quarto barato ou dividir residências temporárias com colegas do trabalho. A barriga deve-a, segundo ele, à cerveja que bebe. Toma como ofensa quando lhe dizem que talvez se deva às duas bifanas diárias inundadas de maionese, consumidas em jeito de ceia. Os dentes que faltam já de forma notória "devem-se aos fracos genes, obviamente".

O maço de cigarros tornou-se uma necessidade que nem sempre chega para um dia inteiro, sobretudo depois da separação com a namorada de longa data, com a qual nunca chegou a procriar. A mãe sente-se triste por não ter um neto, mas habituou-se a deixar escapar a esperança. Em suma, o Amílcar é usualmente tomado pelos conterrâneos como o fracasso em pessoa.

 

Ainda que não seja um grande falador, os finais de tarde ou noites em que bebe umas cervejas a mais no café, costumam transformar-se em verdadeiras conversas de nível quase filosófico. Foi num desses momentos que lhe apontaram a alcunha de Amílcar Soluções, e desde aí passou a ter sempre uma resposta resolutória para tudo. É verdade que tende a aplicar demasiados advérbios de modo, 95% das vezes desnecessários, mas isso compensa a capacidade conselheira perante qualquer problemática.

Falei com o Amílcar ontem e propus-lhe uma parceria com o blogue, ficando os termos da parceria em segredo profissional. Pelo menos até que o Amílcar calhe a falar dela quando estiver com os copos. Ele não me consegiu prometer histórias todas as semanas, nem eu esperava que assim fosse. Mas o nosso acordo obriga a que haja pelo menos uma por mês. Com sorte, teremos o Amílcar por aqui com regularidade.

Nas palavras do Soluções: «Normalmente, ao fim de semana perguntam-me mais regularmente. Pensam que eu estou bêbado, mas eu estou mas é a merda. Se não fosse aqui o Amílcar é que eu queria ver. Eu costumo ter dor de cabeça usualmente ao domingo e à segunda. À segunda para perto da noite já costumo estar melhor, essa altura é boa para te contar alguma história. Efectivamente».

 

Fica então aqui o primeiro relato, tiro o meu chapéu ao homem, chamem-lhe fracassado chamem:

Eu cheguei ao café precisamente meia hora antes da Selecção começar. Estava um alarido do cara***, mas ouvi logo a voz do Simão destacada no meio das outras. Ele é surdo de uma orelha, nunca sei da qual. Pedi uma [cerveja] média ao cachopo do Zé dos Tanques [rapaz que costuma fazer horas ocasionais de serviço ao balcão], ele disse-me logo que já tinham perguntado por mim. «Isso sei eu!». Falamos de muita coisa até começar o jogo, e foi nesse bocado que o Marmeladas me disse que cada vez que ouvia falar do madeirense mais famoso do mundo, lembrava-se da Madeira e de uma passagem de ano em que lá esteve. «Foi o subsídio de Natal mais bem gasto da minha vida, ó Amílcar. Se não tivesse as dívidas que tenho, voltava lá».

Surgiu-me imediatamente a ideia. «Ó porra, tu estiveste lá quando, mesmo? (...) Em noventa e poucos? Ó homem, então mas isso é canja. Nessa altura o Ronaldo estava precisamente por lá, queres melhor? Telefonas para algum jornal ou revista e dizes que tens uma história bombástica do Cristiano Ronaldo e da família durante os anos 90, efectivamente. Depois, telefonas às pessoas da zona com uma proposta para ganharem dinheiro fácil, não há-de ser difícil até algum aceitar. Explicas que tudo o que têm de fazer é, quando determinado meio ligar, dizerem que a família do Ronaldo passou efectivamente o ano com eles nessa data, mas que não se lembram de ter acontecido nada de especial, além das habituais bebedeiras.

Ora, evidentemente que isso vai despertar a revista a querer saber mais coisas da tua versão. Nessa altura, dizes que és uma pessoa humilde e que apenas queres voltar a passar o ano na Madeira, que não queres estar a ganhar dinheiro da tristeza dos outros. Além disso, estar no local e reconhecer os sítios ajuda a avivar a memória. Finalmente, dizes que só contas tudo se a entrevista for lá, se não quiserem, que não te voltem a telefonar. O que vai acontecer é que, perto da passagem de ano, eles vão lembrar-se disso e vão telefonar-te com a oferta.

Quando lá chegares só tens que fazer isto: beber até teres que ir levar soro para o hospital e, preferencialmente, bateres com a cabeça nalgum lado antes de ser levado pela ambulância. Quando alguém da revista for saber de ti e perguntar pela história, é só fingires que mal sabes onde estás e que nem te lembras de alguma vez teres falado com aquela pessoa na vida. Assunto encerrado, preciosamente.».

O Amílcar perguntou-me se era isto que queria. Eu disse-lhe que servia muito bem e que sempre que encontrasse soluções do género me viesse contar. Que o nosso acordo continuava.

Mantive as palavras tal e qual ele mas disse, apenas tratei de trabalhar o texto de forma a respeitar mais as frases ditadas. Além disso, fiquei a achar que as soluções do Amílcar não eram, afinal, pura parvoíce. Talvez tenha sido só esta, logo veremos.

 

 

Nota de rodapé: Qualquer semelhança que as personagens ou histórias destes textos fictícios possam ter com a realidade, é mera coincidência.

O enigma da ponte

Lembrei-de que poderia ser uma boa forma de desenferrujar do fim de semana: começar a segunda com um daqueles jogos de raciocínio que toda a gente gosta de tentar resolver.

O vídeo é narrado em Inglês, mas tem legendas em Português. Tentem solucionar antes de ver a resposta, que assim é que tem piada.

Boa semana!

 

Primeiro - Da Loucura.

Começa na cabeça, tal como tudo. Pergunto-me o que sei eu de loucura. Da minha. Será possível ser-se louco aos próprios olhos?

Além da existência, porque há-de alguém querer entender de loucura? Da de cada um e, em expoente último, da sua. É estranho, perturba-me a mente e causa-me caretas de confusão.

 

Quando junto uma mão cheia de pensamentos diluídos, semelhantes aos que surgem enquanto escrevo isto, obtenho uma ideia razoavelmente bem definida: na falta de melhor, faz-te passar por louco. Ou melhor dizendo: sê tu. Todos os loucos têm lugar no mundo, já que nenhum conjunto de dois vê de igual maneira, nem tão pouco de maneira semelhante.

Se o cidadão dito comum tende a ver as motivações gerais de uma população e a aceitá-las para si, o louco tende a passar por estas sem desejá-las. Não segue uma carreira, não gera descendência, prefere andar descalço, ou recusa ser enterrado num cemitério. É tolo: sem ambição por um emprego ascendente, engraxar um par de botas novas, ou comprar um paralelepípedo de terra pública num cemitério local.

E isso é certo, como é certo noutras alturas não saber mais que uma vasilha cheia de ar cediço. Mas saberá alguém alguma coisa sobre vasilhas cheias de ar bafiento aqui? Ou melhor, saberá alguém se essa vasilha sabe o que quer que seja? O louco sabe que a motivação de uma vida é efémera em blocos ocasionais de tempo desmedido. E se isso não chega para enlouquecer um corpo, uma alma, ou lá aquilo que é o ser humano, nada mais o fará.

 

Quando passares por louco, toma cuidados. Não há vícios fáceis, e essa versatilidade envergada poderá abraçar-te o corpo. Ou julgaste isso, quando em boa verdade foste tu quem a colou para sempre. Digno de um momento de pura felicidade. Sem tempo descontado. Na falta de melhor, assume a loucura como a nova peça única do teu guarda-fatos.

 

street art

Pág. 1/3

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

O gajo

foto do autor

Citação da semana
When you have exhausted all possibilities, remember this: you haven't - Thomas Edison
Acompanha no facebook
Armado em fotógrafo
Malta ludibriada
Mesa de cabeceira

Manda vir com o lorpa
lorpaquaseerudito@gmail.com

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D