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Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Diz que...

...há um preço para tudo. Diz também que toda a gente tem um preço.

A sensibilidade tem um preço estranho, tanto a pagar como a receber. O pagante inspira o orgulho dos ares, prende a respiração de peito cheio e deseja continuar assim para sempre. O receptor, que podia perfeitamente ser o pagante, sente-se uma miniatura dentro do próprio corpo, desliza em direcção à fonte emocional e, regra geral, encaminha pelo canal lacrimal. Isto porque os olhos processam tudo, os ouvidos ajudam, e a imaginação desenha o toque crítico.

Não sei se também nestas coisas existem saldos e promoções, mas é provável que sim. Se for o caso, quero um receptor com 50% de desconto, se faz favor.

 

blurr

Quarenta e um

Não. Não é o post número 41 do blogue.

Também não. Não faço 41 anos. Longe disso.

Ainda não é isso. O número 41 também não tem qualquer tipo de significado especial para mim. A não ser...

 

... A porra da temperatura durante o dia de ontem. Quarenta e um!!

 

Saí à rua por volta das 15h sem t-shirt e, nem decorridos 30 segundos, voltei para dentro. Tive a certeza que se ficasse por mais outros trinta, regressava com queimaduras de segundo grau, para aí.

 

O Verão, o verão! Tomar um duche e sair de lá a suar. Encostar no sofá e descolar (literalmente) de lá na hora de levantar. Acordar de manhã como um livro de ilustrações fechado há anos, com as páginas todas coladas umas às outras. Pegajosas como tudo.

 

O calor tem sido tanto que as ideias evaporam, o corpo adormece. O cérebro adquire valências caninas e só pensa em procurar locais frescos e à sombra, onde possa desligar temporariamente. Lá, as ideias evaporadas deixam um aglomerado de moleza geral, que só tende a melhorar com a chegada de temperaturas mais amigas do movimento muscular.

 

heat

O Relógio de Corda

Aqui há umas semanas falei-vos do meu caderno dos rascunhos.

Por vezes, lá me dá para (tentar) rabiscar uns poemas. Este já é bem velhinho, encontrei-o escondido pelas páginas. O engraçado é basear-se em factos que aconteceram realmente. E o que eu me ri a relembrar!

 

 

O Relógio de Corda

 

O relógio de corda da minha tia-avó

Bate as horas e as meias sem nunca de mim ter dó.

Nem tijolo, nem cimento, nada disso o faz calar

O mal é do raio da velha que tem corda p'ra lhe dar.

 

Dá uma volta e outra dá, gira a chave e gira mais,

Não esconde o sorriso velhaco que aprendeu nos telejornais.

Mas se algum deus de verdade existe, veio ali naquela altura,

Partiram as cordas forçadas, catapultas de amargura.

 

«Ó filho! estraguei o relógio, anda cá ajudar a tia,

Toma lá este dinheiro e vai cuidar da avaria».

Escondi o sorriso em esforço, como quem não sabe o que sente

Porque cá dentro de mim, já tinha o plano todo na mente:

 

Voltei sem nunca partir, a fingir enorme tristeza

«O conserto era tão caro, não valia a pena a despesa».

Eis que ela sorri novamente, desta feita em jeito de paz

«Não sou só eu a velhaca! és ainda pior meu rapaz».

 

clock wall

Controlo

Aqui há umas semanas, sem que nada o fizesse prever, o meu computador começou a processar um "Reiniciar". De livre e espontânea vontade, limitou-se a instalar o Windows 10 como se não fosse nada com ele, mesmo depois de já lhe ter dito centenas de vezes NÃO ao incentivo à instalação, que surgia sempre que iniciava o computador.

Eu, incrédulo, limitei-me a barafustar durante um bocado e depois lá me habituei à ideia. Mais ou menos como fazemos com quase tudo. 

 

Posto isto, o pensamento do dia é: como é que querem que uma pessoa tenha controlo sobre a própria vida, se nem no próprio computador consegue mandar?

 

ctrl

As palavras que ontem me faltaram

Hoje consigo! Hoje já recuperei a voz e o coração já não bate descompassado. A mão direita, que esmurrou a madeira do sofá quando o Éder marcou, está menos moída. Portanto escrevo. Escrevo para imprimir as memórias que eram ontem emoções descontroladas.

 

Algures, num universo paralelo, poderia escrever-se um livro de ficção com esta história:

Um thriller onde a dúvida, o mistério e a ansiedade dominariam os leitores. Onde o nervosismo teceria fios agridoces alternados de choro e sorrisos. Onde o personagem principal morreria perto do fim e toda uma audiência o choraria, gostando ou não. Porque sabiam da importância dele para a história. O leitor descobriria então um final delicioso, um final daqueles que nunca mais se esquece, onde tudo faria sentido. Um final onde, por ironia ou não, surge um figurante carregado de sonhos, de crenças, de convicções. E o figurante pega nelas, segura-as, protege-as e remata-as aos olhos de todos nós.

Então, o leitor tem aquele arrepio inexplicável, aquele orgasmo do intelecto. E as emoções tomam conta de tudo daí em diante.

Esta era a história que daria um livro notável, no tal universo paralelo. No nosso universo, esta é a história escrita baseada em factos verídicos, sem necessidade de adições ficcionais. Basta descrever os acontecimentos.

 

Hoje, deixo-vos estas palavras. As palavras que me faltaram ontem e que deverão guiar a minha memória, sempre que quiser recordar o momento. A todos os que construiram esta memória, a todos os que apoiaram, a todos os que acreditaram... obrigado por terem marcado as nossas vidas! Fizeram-me sentir que esta é a melhor altura para se estar vivo, que não há outro lugar no mundo onde quisesse estar. Que não poderia ter nascido noutro sítio se não aqui, em Portugal.

 

 

Sometimes things become possible if we want them bad enough - T.S. Eliot

portugal wins

 (Imagem retirada daqui)

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When you have exhausted all possibilities, remember this: you haven't - Thomas Edison
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