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Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Agosto numa citação

É Agosto. São as férias. É o calor e a preguiça, e ocupar o tempo de família e amigos.

Tenho rascunhado, não tenho escrito. E quando tento escrever, ocorre-me com frequência uma frase algures no Livro do Desassossego:

 

Tenho neste momento tantos pensamentos fundamentais, tantas coisas verdadeiramente metafísicas que dizer, que me canso de repente, e decido não escrever mais, não pensar mais, mas deixar que a febre de dizer me dê sono, e eu faça festas com os olhos fechados, como a um gato, a tudo quanto poderia ter dito.

 

 

É isto: o meu Agosto de criatividade das letras contido numa citação. Claro que bem menos fundamental ou metafísico. Ah! e com um cão a fazer a vez do gato.

A fé biologicamente explicada

É da nossa natureza sobreviver. A fé é uma resposta instintiva a aspectos da existência que não podemos explicar de outro modo, seja o vazio moral que percebemos no universo, a certeza da morte, a própria origem das coisas, o sentido da nossa vida ou a ausência dele. São aspectos elementares e de extrema simplicidade, mas as nossas limitações impedem-nos de responder de modo inequívoco a essas perguntas e por isso geramos, como defesa, uma resposta emocional. É simples e pura biologia.

O Jogo do Anjo, de Carlos Ruíz Zafón

 

 

church night

Cuidado! Estão a chover Perseidas.

Senhoras e senhores, atentos e desatentos, já têm planos para sexta à noite?

Caso tenham, façam o favor de reorganizá-los e de aproveitar a noite (madrugada adentro incluída) em busca de Perseidas.

Para quem não souber, as Perseidas são uma chuva de meteoros originada pela passagem da Terra junto aos detritos do cometa Swift-Turtle. O evento ocorre anualmente durante os meses de Julho e Agosto, com tendência de acentuar-se entre 9-13 de Agosto. Este ano o pico será nos dias 11 e 12, e parece tratar-se de um ano especial: ao invés das habituais 60 estrelas cadentes por hora, são esperadas cerca de 150/hora!!

Não é incrível?! Cento e cinquenta cadentes a cada hora. Não há lista de desejos que resista, podem começar já a magicar desejos extra, vai ser precisa bastante criatividade.

Portanto, pensem lá bem nas vossas vidas, cheira-me ser tempo bem investido. Abro-vos o apetite com uma foto do último fim de semana: em pouco mais de meia hora, fiquei com uma mão cheia de fotografias atravessadas por cadentes.

 

cadente

 

E como eu sou um tipo mesmo à maneira, deixo ainda uma lista de conselhos úteis:

 

1. Afastem-se da cidade e de locais muito iluminados. O local perfeito é o mais escuro possível. Olha!, é uma excelente noite para acampar, por exemplo;

 

2. Não vão antes da meia noite. É a partir dessa hora que garantem um céu bem escuro. Aliás, diz-se que quanto mais próximo do amanhecer, melhor. Entre as 2h-4h está perfeito, vão por mim;

 

3. Levem uma manta. O rabo e as costas agradecem. Se forem friorentos, levem cobertores e roupa mais quente, ou socorram-se de outros meios de aquecimento, por exemplo namorados e namoradas. Ou amigos coloridos, o que importa é não passar frio. Vale quase tudo!;

 

4. Levem um repelente. Principalmente se não se sentirem confortáveis no meio da escuridão total e quiserem recorrer a uma pequena lanterna ou outra fonte luminosa semelhante;

 

5. Levem um pequeno lanche. Caso pensem ficar um bom bocado, tenham piedade do vosso pequeno estômago que, no meio de tanta emoção, é capaz de entusiasmar-se e passar o tempo a produzir barulhos desagradáveis. Uma sandes e um sumo não pesam na mochila.

 

 

No final de contas, o essencial à observação é gratuito e fácil de arranjar: escuridão e um par de olhos apontados ao céu.

 

Boas Perseidas a todos!

Olha-me estas framboesas

Por vezes, um gajo acha que percebe alguma coisa de agricultura e, como um bom crente da Geração Espontânea, julga estar perante um crescimento divino daquilo que aparenta ser uma framboeseira.

 

Então, como respeitador da flora e principalmente com um sentimento de Moisés das Framboesas em mente, um gajo encarrega-se de abrir caminho em volta da planta, bem como de espetar uns galhos à volta da mesma para ajudar no combate à gravidade. E claro, sentindo-me um verdadeiro Moisés, além de libertar caminho ao crescimento das framboesas, tinha que lidar com água. Assim foi, e lá fui fazendo chegar uns litros de água até ao mistério sobrenatural do quintal.

 

O tempo passou, a planta cresceu, trepou, floriu e, finalmente, começaram a surgir as benditas framboesas. «Incrível, é mesmo uma framboeseira!» (...) «Mas espera lá, não estão a ficar demasiado escuras? Humm».

A primeira colheita presenteou-me com um sabor desapontante, pelo que supus tratar-se apenas de uma tentativa falhada da planta, também tem direito a falhar. Pobrezinha! Afinal de contas, eram apenas os primeiros frutos.

 

Ontem colhi finalmente mais uma mão cheia das ditas cujas e, meus amigos, no que respeita ao sabor, é mais ou menos um limão no corpo de uma framboesa! Que coisa amarga, credo!

Agora, das duas uma, ou eu tinha provado outra coisa que não framboesas (porque eram bem mais doces que isto), ou saiu-me outra planta na rifa, que usa a framboeseira como disfarce. Saber lá se não estou perante um espécime venenoso que me invadiu a propriedade com intuito de apoderar-se da mesma. Se for o caso, informo que este post foi escrito ontem à noite e programado para hoje de manhã. Portanto, não havendo mais notícias minhas, já sabem que da minha parte houve um Goodbye, cruel world.

 

Para finalizar, deixo uma foto do lanche. Até ao final do dia edito o post e ponho também uma foto da planta, na esperança de existir por essa blogosfera alguém entendido na matéria, qual esclarecedor de mistérios. E claro, que com todo o direito, me chame nabo.

 

framboesas

 

P.S.: Tem melhor aspecto que sabor, acreditem!

 

framboeseira

Cá está o tal edit que refiro em cima. A imagem não é a melhor, foi tirada à pressa. Mas que me dizem, temos ou não temos framboeseira? Quero acreditar que sim, saiu foi um espécime de frutos amargos. Não se pode ter tudo.

Valer a Pena

Tenho este hábito (inserir adjectivo aqui) de, como último recurso na tomada de uma decisão, perguntar-me se valerá a pena fazer ou não algo. Não importa tratar-se de uma decisão usual, ou de uma escolha que aparente ser "de vida ou de morte", é esta a última cartada antes de tomar uma acção.

Na convivência com essa rotina julgo ter aprendido um punhado de lições úteis, que anotei algures em papéis e que, ao reler, desencadearam este texto.

 

Pensar se algo "vale a pena" é, como tudo na vida, bastante subjectivo. Até aqui nada de novo. O problema, apesar da subjectividade, é enganarmo-nos a nós próprios com a pergunta. Isto porque se levássemos a resposta a extremos, nada valeria a pena, não vamos acabar todos por morrer mais tarde ou mais cedo? Quero portanto dizer que, ao fazermos esta pergunta, pretendemos pouco mais além de uma resposta confortável, para não dizer que na maioria das vezes o desejo real passe por uma desculpa interior. 

 

Quanto mais penso nisto, mais associo ao contínuo crescimento de valores narcisistas instalados na sociedade de hoje. Existe um clima de competição constante, numa raça que cresceu mais do que aquilo que é suportável a longo prazo. Longo prazo esse que nos é estampado na mente de forma recorrente: que devemos pensar no futuro, que devemos poupar recursos para um final de vida mais confortável, que devemos planear os nossos dias e as nossas férias, que devemos planear ter filhos e comprar uma casa. Que devemos planear a nossa vida, escrevê-la num papel e seguir os passos. Assinar ao fundo da página um acordo por tempo indeterminado, tal qual a vida.

 

No final pergunto: vale a pena?

Acho que vale a pena tudo aquilo que cada um quiser fazer valer a pena. O que importa é haver uma causa, um motivo pelo qual o esforço seja esquecido e o tempo não seja contabilizado. Sabermos que a morte é obrigatória cria uma pressão e um medo difíceis de explicar. Parece que nos foge a habilidade intrínseca do controlo, da sermos senhores das nossas decisões e do nosso rumo.

Não querer morrer é o extremo limite do narcisismo de hoje. E a prova de que o que vale mesmo a pena é repensarmos as nossas atitudes e o nosso trajecto enquanto espécie.  

 

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