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Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Se os pombos fossem pessoas

1. O fotogénico

fotogénico

 

 

2. O envergonhado

envergonhado

 

 

3. O que pensa que manda nos outros

mandão

 

 

4. O que pensa que é modelo

modelo

 

 

 5. O que dorme em qualquer lugar

dormichoco

 

 

 6. O exibicionista

exibicionista

 

 

 7. O calhandreiro que está sempre à escuta

cusco

 

 

 8. O que foge aos assuntos

foge

 

 

 9. O garganeiro

garganeiro

 

 

10. O conas tímido que nunca dá o primeiro passo

passo

 

 

11. O que está sempre zangado com tudo e com todos

zangado

 

 

Qual deles é o teu spirit animal, ou com qual te identificaste mais? Eu sou claramente o garganeiro!

 

P.S.: Se algum deles for a cara de um familiar, amigo ou conhecido vosso, enviem-lhe isto. Tipo deixar a dica: "vê lá se te identificas com algum, ó zangão!"

Comportamentos ridículos do além

Segunda feira é aquele dia bom, já tinha dito aqui que não desgosto das coitadas das segundas. Partindo dessa onda, quero partilhar convosco uma situação de sábado na qual, agora que escrevo e penso melhor no assunto (Domingo), preciso de esclarecer o meu comportamento. Ouvir umas opiniões, vá, que é como quem diz massajar o ego. Ou achincalhá-lo, eu sei lá.

 

Tudo se passou quando saí do trabalho e entrei no carro. Na Comercial, começava a tocar o seguinte:

 

 

 

O problema começa aqui e julgo dever-se, em parte, ao facto do dia estar arrumado e ter corrido muito bem. O raio da música entrou-me pela pele adentro e até que terminasse, vim a conduzir em modo dançarino: sapateado dos pedais + mudanças metidas ao ritmo da música + volante em modo tambor. 

Chego a casa e vou de imediato pesquisar a dita cuja. É precisamente nessa altura que a espiral de acontecimentos embaraçosos começa:

 

1. Dançar que nem um completo idiota, numa mistura entre o ridículo e deplorável;

2. Agarrar-me a um tripé que serviu de microfone, o qual me dei ao trabalho de ajustar em altura e...

3. ...Pior! fazer movimentos com ele de um lado para o outro, qual aprendiz do Marco Paulo;

4. Continuar a dança em modo imparável até ao final da música e ultrapassar todos os limites quando, a certa altura, o tripé microfone se transformou inevitavelmente numa guitarra.

 

Quando a música terminou, desatei a rir e cliquei no replay. Desta vez já sem danças e só com sorrisos idiotas, limitei-me a dizer em voz alta «mas o que é que foi isto, tens a noção que és um completo anormal, certo?»

E posto isto, não sei o que é pior: se a "dança", se o facto de ter noção do ridículo e, mesmo assim, me rir disso, se o atrevimento da letra e, nesse caso, me deva sentir um galã e possa imaginar-me a usá-la como criadora de clima romântico, qual Zézé Camarinha do Alentejo.

 

Enfim, porque às vezes também há que assumir as merdas e contar as coisas como elas foram realmente, foi esta a minha reacção a uma música que nem costuma fazer o meu género. Até que ponto devo considerar buscar ajuda psicológica? 

Nostalgia ao calhas - vaguear em terra batida.

Conheci a minha terra sem tapetes de alcatrão. Nos dias em que aprendia letras maiúsculas e minúsculas, diferentes entre elas não por premir um shift, as máquinas passeavam barulhos e cheiros estranhos pelas ruas da aldeia. Tudo era novo, especialmente o pavimento suave e menos poeirento. Os ténis colavam-nos ainda mais ao chão, como se aqueles novos caminhos nos quisessem segurar por ali e a gravidade não fosse competente para tal.

 

Hoje e sem motivo aparente, coisa na qual custo a crer, olhei demorado os caminhos da minha terra. Vi um alcatrão enfraquecido pelos anos com buracos e fendas, remendado. Disse para comigo que é esse o caminho de todas as coisas. Comparei as pessoas, os lugares e este bloco temporal a que chamamos de vida, às serpentes semi-negras que fazem deslizar rodas e pernas e patas, enfim... Vi a estrada de alcatrão como uma possível metáfora para o passar do tempo: fica gasta e velha, às vezes inutilizável e, por mais que pareça não ter fim, há sempre um corte que nos leva ao final da estrada.

 

Quando o pensamento mudava já de estação, lembrei-me da terra batida, escondida por baixo das toneladas de alcatrão. Do pó. Dos ténis sujos que faziam fumo quando batia os pés. Daquela terra batida que viu séculos de gente. Do cheiro desse pó dessa terra, molhado por chuva milenar. E aquela gota nostálgica de saliva agridoce, com tendência para o doce, causou o tal sorriso interno das recordações que julgávamos perdidas, mas que na verdade apenas vagueiam pelas nossas memórias mais profundas: as nossas terras batidas.

 

terra batida

 

Quando for grande quero ser roulotteiro

Pais de filhos por esse Portugal fora, da próxima vez que um dos vossos rebentos disser que quando for grande quer ter uma barraca de bifanas, não os espanquem. Aliás, levem o assunto bem a sério!

Pode acontecer eles terem sabido desta notícia ou, vá, terem estado no Paredes de Coura e ficado a par do assunto. 

 

Em resumo? O proprietário de uma roulotte de venda de alimentos perdeu uma mochila com 25.000 euros, que foi encontrada pela GNR dois dias depois do festival ter terminado. A GNR fez a sua "boa acção" e devolveu a mochila.

 

Contudo, ao reler a notícia fiquei com a impressão de que a história está assim um "bocado para o mal contada". Mas enfim, vamos fingir que não e que, dada a quantia considerável, aquela roulotte não seria como a Lavagem de Carros do Walter White em Breaking Bad.

 

money bag

Sobre as expressões idiomáticas - parte 2

speak

 

Há coisa de uns meses escrevi um texto minado de expressões idiomáticas. A nossa língua é altamente produtiva nesse campo.

Foi algo que me deu bastante gozo fazer e, se quiserem, podem ler aqui. Durante o fim de semana, lembrei-de disso e aventurei-me a escrever uma continuação da história. Foi para o que me deu:

 

 

Ele foi para casa afogar as mágoas. Apanhou uma piela que durou dias e andou à deriva até bater no fundo. Estava feito num oito, mas queria um acerto de contas.

Apareceu do nada em casa dela, queria pôr tudo em pratos limpos. Contudo, bateu com o nariz na porta. Alguém deu com a língua nos dentes e lhe disse que ela foi laurear a pevide com um rapaz bem parecido. Ele ficou fora de si:

«Desta vez pisaste o risco», pensou.

Estava de coração partido e de cabeça quente, a junção perfeita para dar barraca.

Primeiro foi ao café preferido dela: estava às moscas. Depois foi ao parque da cidade: havia muita gente a dar à língua, outros a dormir que nem pedras, mas não havia rasto dela. Ficou prestes a rebentar, tinha os miolos a ferver cada vez mais. Sentia ter corrido os quatro cantos do mundo para nada, mas nem pensar em morrer na praia.

Tomou a decisão drástica de ir comprar uma arma no mercado negro, que lhe custou os olhos da cara. Mais cedo ou mais tarde iria encontrá-la, estava em pulgas para nessa altura puxar o gatilho.

E sem que nada o fizesse esperar, ao virar da esquina, lá vinha ela com o rapaz bem parecido.

Enfentou-os e virou-se para ela, atirou-lhe com as culpas por tudo e disse-lhe que se preparasse para ir desta para melhor. Ela estava-se nas tintas, as palavras entravam-lhe por um ouvido e saíam-lhe por outro.

Foi a gota de água, ele puxou pela arma com os olhos a fazer faísca. Ela levou-o a sério, ele queria mesmo limpar-lhe o sebo. Cantou de galo e disparou. Carregou outra vez e mais outra. E ainda outra.

Não aconteceu nada, tinham-lhe vendido gato por lebre. Ficou com a cabeça a andar à roda. Perdeu o norte, depois os sentidos.

Quando acordou para a vida, já estava a ver o sol aos quadradinhos. Foi dentro e pagou caro por tudo o que fez. Tinha realmente feito asneira e sentia-se um zero à esquerda.

 

_____________________________________________________________________________________________________

 

E é isto. Uma pessoa pode (e talvez deva) escrever montes de coisas em atraso, mas depois mete isto na cabeça e prefere desafiar-se e ver até onde consegue ir. Vidas!

Vamos fazer um jogo

Baseado numa certa notícia, de uma certa página.

 

O título da mesma: "Os 7 medos mais comuns e como perdê-los de vez".

A minha pergunta: Quais acham que são dois desses medos?

 

A. Morte e alturas

B. Escuro e morte 

C. Alturas e palhaços

D. Insectos e escuro

 

Mandem o vosso bitaite enquanto apreciam a imagem. A resposta vem logo depois.

 

highs

 

Pelos vistos, "medos" de uma só palavra é coisa do passado, a moda agora passa por uma descrição complexa da fobia. Portanto, se responderam a alínea B, poderiam perfeitamente estar certos mas... A resposta afinal passa mais por "Medo de ter sempre problemas com o dinheiro" ou "Medo de nunca conseguir perder peso" ou "Medo de ter feito uma má escolha na vida".

 

E são estes alguns dos medos mais comuns. Supostamente.

O que não era suposto, julgo eu, é a comédia involuntária do texto, porque é mais cómico que outra coisa. Ou então está-me aqui a falhar alguma coisa no sistema e sou só mesmo eu a pensar assim. 

De qualquer das maneiras, descobri que tenho um medo novo:

 

Medo de continuar a ser tão parvo ao ponto de abrir notícias destas 

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O gajo

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