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Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

E se o Natal acabasse?

Antes de mais: E parar com esta história do Natal ser um consumismo e mais não sei o quê, não? Sobretudo quando também se faz parte do mesmo. Isso é tão ridículo como dizer que se é a favor do ambiente e depois deitar lixo para o chão. Aliás, deitar lixo para o chão é detestável independentemente da opinião ambiental. Adiante.

 

A quem recorre a expressões "novinhas em folha", tais como:

"O Natal só serve para nos fazer gastar dinheiro"

"O Natal é um consumismo"

"O Natal é uma estupidez pegada"

 

E que (calculo eu) adere igualmente à tradicional troca de presentes... Quero propor o seguinte cenário:

 

O Natal desaparece. Termina de vez, para sempre. Por motivos de força maior ou pessoais, por exemplo, que são as justificações possíveis para o desaparecimento do mesmo. Algo semelhante ao que nós usamos quando o motivo é na realidade, vá lá ver, duvidoso.

Portanto, o Natal sumiu e vós, como defensores do anti-Natal, aplaudem o sucedido (suponho eu). Permitam-me então que continue a imaginar o desenrolar dos acontecimentos e que vos pergunte, desde já, o seguinte:

- Em que outra altura do ano das vossas vidas, vão tornar a lembrar-se de todos os familiares? De enviar uma mensagem àquele amigo do Secundário ou da Universidade? De visitar a tal tia viúva que só visitam nesta altura?

 

Eu sei quando seria, sei. No dia do "temos que lá ir", lentamente transformado numa espécie de nunca. E isso seria lamentável. É bom existir uma altura que, de certa forma, nos obrigue a realizar todas estas tarefas natalícias. O ser humano precisa disso e nem sabe o quanto.

Quero acreditar que, ainda assim, se o Natal realmente acabasse, as pessoas ficariam desorientadas e, pelo sim pelo não, acabariam por arrepender-se do que disseram e continuariam a celebrar o Natal. Ou então ficavam-se mesmo pela "espécie de nunca" e pronto.

 

Enfim, por mais que o Natal nos atafulhe os sentidos com incentivos a abrir falência, que seja vergonhoso cantarmos, dançarmos e sabermos as letras de várias canções de Natal (inclusivamente o pinheirinho, pinheirinho, de ramos verdinhos), que por vezes seja "chato" visitar tanta gente num tão curto espaço de tempo, que haja toda esta pressão de ter tudo pronto a tempo e horas... Por mais que tantas outras coisas, tenho a certeza que teremos sempre as melhores recordações desta época.

 

Comam muito, bebam ainda mais, estejam com quem quiserem (ou consigam) estar, e aproveitem. Acima de tudo, aproveitem bastante. Tudo!

 

 FELIZ NATAL 

 

tree christmas

 

Breve semi-lorpice

... Porque entramos na semana do Natal e eu tenho andado claramente a dormir. Apreciava, vamos lá ver, não andar armado em tuga pelo sei lá quantagésimo ano consecutivo.

 

Trata-se, portanto, de um assunto sério. Eu tenho uma certa dificuldade em lidar com assuntos sérios, sempre tive. Na medida em que grande parte dos assuntos sérios são extremamente engraçados. Por exemplo, hoje vou novamente aproveitar a manhã livre para ir à Segurança Social. É a quarta vez este mês, para tratar de assuntos (aparentemente) sérios relacionados com a reabertura da actividade.

A comédia está em não ter mais nenhum período livre até à véspera de Natal, mas ainda assim ir aproveitar este da maneira que vou. Resta-me portanto acreditar que vou deixar o assunto arrumado. No mínimo. No máximo quero acreditar que a senhora, chegando ao final do atendimento, dirá algo como:

 

 

- Caro jovem, as visitas a que se sujeitou durante este mês faziam parte de um esquema organizado para testar os seus limites. Quero informá-lo que passou no teste e, portanto, poderá escolher uma das seguintes opções de vida:

A) Um cartão presente no valor de 1000€ para gastar como quiser (até mesmo droga, desde que o seu dealer tenha multibanco)

B) Férias até ao dia de Natal

C) Uma réplica da manjedoura original do Menino Jesus (c/ oferta de uma vaca limitada ao stock existente)

D) O cancelamento do Natal

 

É nisto que acredito. Qual é a pior coisa que pode acontecer?

 

 

E vocês, em que é que acreditam?

Boa semana do Natal, minha gente! 

 

P.S.: A opção D afinal está fora de questão.

Esta semana

... Tinha posto na cabeça que iria escrever sobre o Natal.

 

Acabei por nem sequer iniciar tarefa, mas da próxima semana não passa. Na verdade nem pode!

O contrato idealizado comigo mesmo obriga-me a postar (no mínimo dos mínimos) uma vez por semana. Portanto aqui estou eu, pela segunda vez, a deixar uma semana chegar ao último dia em que posso continuar a honrar o contrato, sujeito a perder-me para sempre no limbo blogosférico do caos. E talvez tenha repetido a palavra 'semana' demasiadas vezes também.

 

Sem grandes voltas, parto directo ao assunto: partilhar a entrevista do Ricardo Araújo Pereira ao programa Alta Definição, na SIC. Podem ver aqui. 

Nem fazia ideia que isto tinha acontecido, mas não sei como (ou talvez pela constante vigia das nossas tendências através de cookies e coisas do género) apareceu um relacionado no YouTube com parte da entrevista.

Se, tal como eu, acharem que ele é claramente um fora de série (e não me refiro apenas à comédia), dêem uma espreitadela. São 45 minutos muito bem aplicados.

 

Por fim, e só a título de registo pessoal, é curioso como o Universo parece, por vezes, conspirar a nosso favor. Tendo em conta o passado recente, o dia de ontem e, principalmente, a noite de ontem, esbarrar com esta entrevista deixou-me novamente a pensar em como não existem coincidências.

 

rap

Foto retirada daqui.

Quem muitos burros toca

... Devia dar-se por contente, já que são cada vez mais raros de encontrar.

 

Os burros fazem parte da minha infância. Cresci numa aldeia do interior que me permitiu familiarizar com a espécie. O meu avô materno tinha um, inclusive.

 

E tudo isto para quê? Para dizer algo que pouco terá a ver, mas que precisa de uma introdução temperada com parvoíce e/ou pouco sentido. Na realidade não precisa, mas enfim... É mais forte do que eu. E é Natal, ninguém leva a mal. Porque no Carnaval leva. Experimentem perguntar aquele vosso amigo que levou com uma "bombinha" de mau cheiro no focinho, levou a mal de certeza.

 

Bom, adiante. O meu pai utiliza várias vezes esta expressão do "tocar muitos burros" e eu, como bom semi-herdeiro e fã das nossas expressões, provérbios e etc., venho pegar nela e desenlear mais um texto de encontro aos meus dias. Deixar mais um registo por aqui, no fundo é isso.

Ora, como alguns de vocês sabem, este foi um ano de mudança para mim. Não ao nível do estilo do cabelo ou da roupa que uso. Larguei a profissão em que me formei superiormente, vim morar para uma cidade a 500km de onde estava e mudei até de clube. Nada desta mudança se deveu a qualquer tipo de problema profissional ou pessoal, pelo contrário, porque se há coisa que me custa quando parto para outra aventura são as pessoas que "deixo para trás". O motivo foi unicamente a certeza de que não queria fazer aquilo e estar ali para sempre. Chegou e sobrou. Porque estar encostado a algo, enrolar-se numa rotina, criar raízes ou repetir os dias é simples. Complicado é libertar-se dessas correntes quando elas estão até já enferrujadas pela posição constante de não serem mexidas. E já agora, a parte da mudança de clube é brincadeirinha né?, quando se é do Maior, mudar não é sequer uma hipótese.

 

Posto isto, fica aqui o registo de que uma mudança radical é uma estranguladora de tempo. Tempo na medida do termos tempo (vai buscar, redundância!) para as nossas pequenas coisas. A mudança é entusiasmante, é divertida e voltamos a sentir aquele estímulo da novidade todos os dias. Isso é... sei lá, rejubilante?. Sim, rejubilante. Que é também uma palavra apropriada à época Natalícia, que eu tanto aprecio. Hei-de escrever sobre o Natal também.

Por agora, seguindo para o desfecho desta memória que aqui imprimo, preciso de focar-me nos burros tocados e por tocar. Acabo por ter que priorizar demasiado e deixar para trás alguns prazeres dos quais sinto falta: ando há mais de um mês no mesmo livro, o blogue tem sido menos actualizado, não consigo visitar os meus vizinhos blogosféricos, enfim... Tenho deixado as letras para trás, quando preciso que as letras façam parte da minha vida.

 

Toda esta tagarelice serve então para relembrar-me disto mesmo: prioridades. Já falei delas aqui, até. Relembrar-me de que não existe falta de tempo. Existem ocupações, existem tarefas, existem prioridades. Existem burros para tocar e, efectivamente, alguns terão que ficar para trás. A pergunta que faço a mim mesmo e a cada um de vocês é:

 

Será que os burros que deixamos por tocar ocorrem por falta de tempo organização ou, de certa maneira, somos nós a fazer escolhas de forma semi-inconsciente?

 

donkeys

 

Bom fim de semana, meus caros multi-tocadores de burros 

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