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Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

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O mistério da Farinha 33

Ora boas tardes, gente! Espero que andem por aí a distribuir sorrisos neste dia 28 de Abril. Hoje e sempre.

Indo directo ao assunto: Quem é que já ouviu falar nisto?

 

farinha 33

 

Eu, como bom Alentejano do interior, sempre convivi com estas embalagens durante os primórdios da minha vida. O "caldo de farinha 33", como aqui lhe chamam, era obrigatório no pequeno almoço dos meus avós (ainda hoje a avó o bebe, como se de um ritual se tratasse). Cá em casa, bebia-se ocasionalmente, quando apetecia.

Entretanto andei anos fora de casa: estudar, trabalhar, viver sítios. E fui esquecendo a existência desse caldo. Há coisa de 2 ou 3 anos, quando se falava muito de que o leite era assim e assado e não trazia os benefícios que lhe eram apontados, os meus pais optaram por pô-lo de parte. Foi desde aí que pegaram na tradição dos pais deles: o belo do caldo de Farinha 33 todas as manhãs.

Há mais de um mês que tenho estado aqui por casa novamente e só esta semana me apercebi de que isto não existe à venda em Continentes, Pingos Doces ou qualquer outra grande superfície. "Mau, então mas que raio de coisa é esta que não se encontra em lado nenhum?", pensei eu. Perguntei à minha avó, que diz lembrar-se de usar a Farinha 33 há mais de 30 anos. Os meus pais sempre se lembram dela também. A verdade é que, onde moramos, só uma pequena loja de comércio tradicional tem a dita cuja à venda.

Não satisfeito, fui pesquisar sobre este mistério e encontrei uma reportagem de 2011 no "A tarde é sua" da SIC, onde há uma visita às instalações da fábrica "A Moreninha", bem como uma conversa com os proprietários da famosa Farinha 33.

 

Algumas curiosidades:

- A mistura é um segredo de família bem guardado;

- As embalagens "vintage" têm sido mantidas até hoje por uma questão de tradição;

- O negócio tem resistido devido ao pequeno comércio e à própria rede de distribuição do produto;

- A publicidade e notícia de que "a Farinha 33 ainda existe" é feita pelo boca a boca dos clientes.

 

Nas embalagens, vemos escrito que é indicada a todas as idades. Tanto que de um lado da caixa vemos uma menina a comer a papa de Farinha 33 e do outro, um homem em tronco nu com músculos bem definidos. E assim era o marketing de há 40 anos.

 

farinha 33 verso

 

Não sou um consumidor diário, mas volta e meia lá bebo uma caneca que sabe sempre bem.

Foi bom descobrir que ainda se conservam estes pedaços de história, da história do nosso país afinal de contas.

 

E tu, já alguma vez provaste Farinha 33?

E os teus pais ou, eventualmente, os teus avós? Experimenta perguntar-lhes pela Farinha 33 ou por algum outro produto da Moreninha. Talvez a nostalgia venha ao de cima.

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