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Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Primeiro - Da Loucura.

Começa na cabeça, tal como tudo. Pergunto-me o que sei eu de loucura. Da minha. Será possível ser-se louco aos próprios olhos?

Além da existência, porque há-de alguém querer entender de loucura? Da de cada um e, em expoente último, da sua. É estranho, perturba-me a mente e causa-me caretas de confusão.

 

Quando junto uma mão cheia de pensamentos diluídos, semelhantes aos que surgem enquanto escrevo isto, obtenho uma ideia razoavelmente bem definida: na falta de melhor, faz-te passar por louco. Ou melhor dizendo: sê tu. Todos os loucos têm lugar no mundo, já que nenhum conjunto de dois vê de igual maneira, nem tão pouco de maneira semelhante.

Se o cidadão dito comum tende a ver as motivações gerais de uma população e a aceitá-las para si, o louco tende a passar por estas sem desejá-las. Não segue uma carreira, não gera descendência, prefere andar descalço, ou recusa ser enterrado num cemitério. É tolo: sem ambição por um emprego ascendente, engraxar um par de botas novas, ou comprar um paralelepípedo de terra pública num cemitério local.

E isso é certo, como é certo noutras alturas não saber mais que uma vasilha cheia de ar cediço. Mas saberá alguém alguma coisa sobre vasilhas cheias de ar bafiento aqui? Ou melhor, saberá alguém se essa vasilha sabe o que quer que seja? O louco sabe que a motivação de uma vida é efémera em blocos ocasionais de tempo desmedido. E se isso não chega para enlouquecer um corpo, uma alma, ou lá aquilo que é o ser humano, nada mais o fará.

 

Quando passares por louco, toma cuidados. Não há vícios fáceis, e essa versatilidade envergada poderá abraçar-te o corpo. Ou julgaste isso, quando em boa verdade foste tu quem a colou para sempre. Digno de um momento de pura felicidade. Sem tempo descontado. Na falta de melhor, assume a loucura como a nova peça única do teu guarda-fatos.

 

street art

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