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Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Problemas que nunca o deveriam ser

hands

Depois de ler que Justin Trudeau, o liberal primeiro ministro do Canadá, continua a tentar fazer de 2016 um ano histórico para o seu país, ocorreu-me como esta questão da morte assistida me irrita desde que ouvi falar nela pela primeira vez.

Morte assistida, eutanásia, suicídio assistido, chamem-lhe o que quiserem. Ou chamem-lhe o que parecer mais suave, talvez assim fique mais fácil pôr um ponto final mundial a um tema que deveria estar resolvido há anos. Talvez seja só mesmo isso, medo das palavras e do que elas representam.

Por mais que me tente colocar, como ouço por aí, do chamado lado moral da questão, só consigo encontrar imoralidade em quem defende que a eutanásia "é um atentado à vida". Mas à qual vida, à vida de quem? À vida humana, ao ser humano? É que se formos por esse caminho, "um atentado à vida" pode ser usado como justificação para qualquer tipo de defesa moral.

 

Porque é que eu, que sou dono de mim e da minha vontade, que estou consciente e capaz das minhas decisões, que consigo perceber o que alguém fora do meu lugar não consegue... Porque é que eu não posso decidir, com toda a ponderação que tive tempo de sobra para fazer, pôr um fim à minha vida? Porque é que alguém tem o direito de decidir em meu lugar o que é melhor para mim? Nem sequer sabem como é estar dentro de mim. Porque é que, concederem-me a morte é errado, mas obrigarem-me a sofrer em vida é correcto?

 

Presumo que sejam perguntas como as anteriores que borbulhem constantemente na cabeça de quem, infelizmente, se veja envolvido numa situação tão ingrata. Mas o que sei eu do que sente quem lá está? Como é que eu, ou um elemento da Igreja, ou um político, ou qualquer outra pessoa poderá saber? Eu não sei e eles não sabem.

Ninguém poderá saber. E irrita-me como é possível que, num mundo que se diz tão evoluido e preparado para os desafios futuros, depois de ouvir inúmeros relatos de pessoas completamente conscientes a implorarem por uma morte tranquilizadora, esse pedido lhes seja negado.

Tiro o meu chapéu a quem neste país, por esses hospitais e demais centros similares fora, de uma forma ou de outra, arrisca fechar os olhos a uma lei que nem deveria existir, concedendo um desejo tão valioso a alguém como o de terminar com sofrimento inimaginável.

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