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Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Quase tão sólido como um calhau dos grandes - series finale

Foram 5 dias e 5 fotografias. Um emaranhado de histórias que conectam mais do que deixam transparecer.

Hoje, no derradeiro dia da saga que encarei como um desafio necessário, quero falar-vos de puzzles.

 

Os puzzles fizeram uma parte importante da minha infância e adolescência. Ainda hoje, na chamada idade adulta, continuam a cativar-me facilmente. Volta e meia dedico-me a um. Por falar nisto, já vai sendo tempo de outro.

Na minha cabeça, toda a gente a certa altura completou algum e é por aí que quero começar. Acompanhem-me:

 

É o vosso primeiro puzzle. Assim que distribuem as peças pela mesa, instintivamente e mesmo que não percebam nada do assunto, vão começar por fazer o rebordo exterior. E porquê? Porque no meio de tantas peças "iguais", é o método mais eficaz para começar. As peças do rebordo encontram-se mais facilmente porque saltam à vista e, no fundo, temos algum sítio concreto para dar início. É natural.

Onde eu quero chegar é a esta(s) pergunta(s): E se as peças do rebordo não tivessem aquele lado liso? E se fossem "iguais" às restantes?

 

Fico na dúvida entre terminar ou não o texto agora. Por uma razão muito simples: gostava que quem lesse isto tentasse realmente responder à pergunta. Sem opiniões extra ou possíveis vieses.

Contudo, não posso deixar de depositar aqui as minhas ideias. Afinal de contas foi essa a principal razão para ter criado o blogue. Lorpa como sou vou deixar a minha resposta, que é a mais óbvia possível:

 

«Se as peças fossem todas iguais, era bastante improvável que começássemos todos da mesma maneira. Cada um começaria por onde lhe parecesse melhor, fosse ou não a forma mais fácil de completar o puzzle».

 

castelo leiria dark

 

Quase tão sólido como um calhau dos grandes #4

Para quem só apanhou a saga hoje, veja os três dias anteriores. Ou pelo menos o primeiro dia.

 

... Os calhaus (sólidos) estão lá longe, desfocados e fora do alcance de uma visão mais precisa. A bola, esse ponto vermelho mais ou menos ao centro deste pequeno universo, não dá conta da presença das rochas. Preocupada por estar perdida, sozinha e presa na areia, deixou escapar a onda que a embalaria de volta ao mar. E as rochas mantiveram-se desfocadas...

 

red balls rock

Fotografia Quintiana - Pedras Desfocadas, São Pedro de Moel (Novembro, 2016).

 

Quase tão sólido como um calhau dos grandes #3

Dia 3, embora lá então. Podem ler o dia 2 ou a inauguração desta "coisa" ao clicar nos sublinhados. Coisa é o termo certo, definitivamente.

Entretanto isto já parece um diário expedicionário.

 

Hoje quero falar-vos de linhas.

Uma linha, se bem me lembro dos meus tempos áureos da Matemática, é composta por uma infinidade ridiculamente infinita de pontos. Para todos os efeitos, e pondo as coisas em termos mais práticos, uma linha terá um início e um fim, um ponto em que começa e outro onde termina. Ao longo desse traçado, há então a tal infinidade de possíveis pontos.

 

Quando revia as fotografias, o rasto de avião que vêem atravessar a imagem levou-me a pensar nas linhas e no que quero escrever, seja lá o que isso for. Só sei que é importante.

As linhas nem sempre são planas, alinhadas, polidas. Há delas que curvam, que inclinam para cima, que apontam para baixo, que são atravessadas por outras linhas, enfim, há linhas para todos os gostos. Há dias em que o mais fácil seria voar em linha recta até casa, sem curvas. Há outros em que as linhas que sobem nos esgotam, mas nos entregam prémios no final. Há dias até em que as linhas curvas e atravessadas por outras proporcionam o ponto alto do nosso dia.

 

E o que seria de uma linha se esta se limitasse a ficar estática numa fotografia, com princípio e fim? Estagnação, ignorância, perda de tempo. As linhas continuam, esticam. Na próxima fotografia, o ponto inicial já será outro e o final também. É um ponto novo, desconhecido e rico em entusiasmo.

A nossa mente não foi feita para processar linhas constantes e imutáveis. Os nossos olhos cobiçam pontos de focagem novos. Porque sim, é verdade que as linhas vão mudando de posição com o simples passar do tempo, e que o horizonte parece ser uma linha sem fim.

Mas não. O horizonte tem um fim e até lá somos nós quem controla as linhas que o sobrepõe.

 

many rocks

 Fotografia Quartiana - Pedras no Horizonte Aeronáutico, São Pedro de Moel (Novembro, 2016).

Quase tão sólido como um calhau dos grandes #2

Vamos então ao dia 2! (Caso não saibam do que falo podem ler o post de ontem.) *

 

* Ou então sigam já daqui, seus rebeldes. **

 

Adiante, que hoje quero ser breve e, neste segundo dia da saga, respondo apenas a uma pergunta que fiz a mim mesmo há poucos dias, depois de tirar as cinco fotografias do álbum:

 

Estás onde queres?

 

 

Lorpa como sou, respondo com outra pergunta. Não deveríamos nós, além das nossas check-lists e agendas diárias, fazer também este check de forma constante? Ou seja, procurar entender melhor o que vai por estas nossas entranhas de mecanismos complexos e mutáveis: os nossos desejos.

Raios me partam se há coisa mais persistente do que uma ideia bem enfiada nas nossas cabeças teimosas. Não há. E é por isso que, também do epicentro desta solidez (quase tanta como a de uma rocha), vos digo: responder a estas perguntas é colocar o nosso pensamento no que interessa verdadeiramente, no que queremos com tudo. É o verdadeiro foco.

 

A fotografia de hoje foi a última desse dia. O sol já ia para lá da linha que vemos quando nos focamos no horizonte. Ou a Terra já tinha girado até que a nossa parte ficasse às escuras, é mais correcto assim.

Eu gosto do correcto. E é por isso que depois desta foto desliguei a máquina, fechei o tripé e subi até ao paredão da praia. De lá, fiquei a ver o escuro que ia caindo sobre a nossa porção de Terra, surpreso com a quantidade de humanos que faziam o mesmo. Conseguem imaginar a certeza no meu "Sim" ao responder à pergunta lá de cima? Sim, foi isso mesmo.

 

big rock

 Fotografia Terciana - Pedregulho ao pôr do sol, São Pedro de Moel (Novembro, 2016).

 

** Eu sou tão fixe que nem ponho os asteriscos importantes em letra minúscula, ou escondidos ao fundo do texto. Isso só acontece aos asteriscos desinteressantes.

Quase tão sólido como um calhau dos grandes

O prometido é devido, certo? E como eu não quero cá ficar a dever nada a ninguém, esta semana irei postar diariamente uma fotografia.

O álbum completo, que contará com um poderoso leque de 5 fotografias, intitula-se "Quase tão sólido como um calhau dos grandes". O intuito é apenas um: registar. Registar mais uma fase, na qual me sinto (quase) tão rijo como um pedregulho.

 

"Quase tão rijo" porque a vida é feita de quases, ou não seríamos nós eternos insatisfeitos. Já para não falar que a utilização do quase nos dá aquele típico conforto extra, ou não fôssemos nós eternos inseguros. E também porque cedo aprendi que quando alguma das alíneas da escolha múltipla contém as palavras "sempre" ou "nunca", não é a alínea certa. Ou seja, mais vale jogar seguro e anotar que estou quase tão rijo como uma pedra, já que estar tão rijo como uma pedra seria dureza a mais.

 

Tenham paciência comigo, acreditem que tudo isto fará mais sentido no final da semana (ou não!).

Para já, digo-vos que cada dia servirá como uma espécie de episódio com alguns detalhes e reflexões. Na sexta-feira espero ter um puzzle, seria sinal de missão bem sucedida.

 

sunny rocks

 Fotografia Segundiana - Pedras Ensolaradas, São Pedro de Moel (Novembro, 2016).

Se os pombos fossem pessoas

1. O fotogénico

fotogénico

 

 

2. O envergonhado

envergonhado

 

 

3. O que pensa que manda nos outros

mandão

 

 

4. O que pensa que é modelo

modelo

 

 

 5. O que dorme em qualquer lugar

dormichoco

 

 

 6. O exibicionista

exibicionista

 

 

 7. O calhandreiro que está sempre à escuta

cusco

 

 

 8. O que foge aos assuntos

foge

 

 

 9. O garganeiro

garganeiro

 

 

10. O conas tímido que nunca dá o primeiro passo

passo

 

 

11. O que está sempre zangado com tudo e com todos

zangado

 

 

Qual deles é o teu spirit animal, ou com qual te identificaste mais? Eu sou claramente o garganeiro!

 

P.S.: Se algum deles for a cara de um familiar, amigo ou conhecido vosso, enviem-lhe isto. Tipo deixar a dica: "vê lá se te identificas com algum, ó zangão!"

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