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Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Ser adulto: interlúdio

Porra para isto de ser adulto!

Uma pessoa quer dar continuação à saga e escrever o texto seguinte mas, quando se senta ao computador, é meia noite e percebe que, uma vez mais, "tem de ficar para amanhã". Impressionante, raios partam estas adultices todas que passamos os dias a fazer.

 

Deixa-me lá ser infantil em paz, vida!!

bah

 

Ser adulto: a saga

Existem três tipos de pessoas:

1. As que são crianças e querem ser adultos;

2. As que são adultos e querem ser crianças;

3. As que têm noção que não adianta desejar uma alteração de idade.

 

E depois existem as pessoas como eu que, não decidindo a que grupo pertencem, sentem fazer parte dos três e, ao mesmo tempo, de nenhum. Atentem na inutilidade da expressão anterior, perfeitamente capaz de integrar uma tripa de chouriços prestes a ser enchida.

Adiante.

Ocorreu-me que seria giro escrever sobre aquilo que, na minha visão, é ser adulto. Sendo um tema com tanto caminho possível, decidi dividi-lo em três partes, cada uma das quais com um núcleo temático principal.

 

Este texto serve apenas de introdução à saga, não fazendo parte dos três que se lhe seguirão. O primeiro sairá ainda esta semana.

Queria desde já pedir-vos para deixarem por aqui alguns dos vossos bitaites adultos, bitaites esses que eu irei incluir na construção dos textos seguintes. O grande objectivo passa por um final (obviamente) épico da saga, com um texto rico misturado por várias cabeças distintas. Sonhar é bom.

 

adulthood

 

P.S.: Quando falo em bitaites, falo de bitaites puros: opiniões rasgadas sem qualquer tipo de fundamento. De coisas sérias já o mundo está cheio. Escrevam a primeira coisa que vos vier à cabeça ao ler a expressão "ser adulto".

E se o Natal acabasse?

Antes de mais: E parar com esta história do Natal ser um consumismo e mais não sei o quê, não? Sobretudo quando também se faz parte do mesmo. Isso é tão ridículo como dizer que se é a favor do ambiente e depois deitar lixo para o chão. Aliás, deitar lixo para o chão é detestável independentemente da opinião ambiental. Adiante.

 

A quem recorre a expressões "novinhas em folha", tais como:

"O Natal só serve para nos fazer gastar dinheiro"

"O Natal é um consumismo"

"O Natal é uma estupidez pegada"

 

E que (calculo eu) adere igualmente à tradicional troca de presentes... Quero propor o seguinte cenário:

 

O Natal desaparece. Termina de vez, para sempre. Por motivos de força maior ou pessoais, por exemplo, que são as justificações possíveis para o desaparecimento do mesmo. Algo semelhante ao que nós usamos quando o motivo é na realidade, vá lá ver, duvidoso.

Portanto, o Natal sumiu e vós, como defensores do anti-Natal, aplaudem o sucedido (suponho eu). Permitam-me então que continue a imaginar o desenrolar dos acontecimentos e que vos pergunte, desde já, o seguinte:

- Em que outra altura do ano das vossas vidas, vão tornar a lembrar-se de todos os familiares? De enviar uma mensagem àquele amigo do Secundário ou da Universidade? De visitar a tal tia viúva que só visitam nesta altura?

 

Eu sei quando seria, sei. No dia do "temos que lá ir", lentamente transformado numa espécie de nunca. E isso seria lamentável. É bom existir uma altura que, de certa forma, nos obrigue a realizar todas estas tarefas natalícias. O ser humano precisa disso e nem sabe o quanto.

Quero acreditar que, ainda assim, se o Natal realmente acabasse, as pessoas ficariam desorientadas e, pelo sim pelo não, acabariam por arrepender-se do que disseram e continuariam a celebrar o Natal. Ou então ficavam-se mesmo pela "espécie de nunca" e pronto.

 

Enfim, por mais que o Natal nos atafulhe os sentidos com incentivos a abrir falência, que seja vergonhoso cantarmos, dançarmos e sabermos as letras de várias canções de Natal (inclusivamente o pinheirinho, pinheirinho, de ramos verdinhos), que por vezes seja "chato" visitar tanta gente num tão curto espaço de tempo, que haja toda esta pressão de ter tudo pronto a tempo e horas... Por mais que tantas outras coisas, tenho a certeza que teremos sempre as melhores recordações desta época.

 

Comam muito, bebam ainda mais, estejam com quem quiserem (ou consigam) estar, e aproveitem. Acima de tudo, aproveitem bastante. Tudo!

 

 FELIZ NATAL 

 

tree christmas

 

Fé na humanidade - confere!

O título não é clickbait. Ainda há esperança na humanidade, quanto mais não seja em parte da mesma.

Na passada Segunda-feira, entrando ao trabalho apenas da parte da tarde, aproveitei o bloco matinal para ir à Segurança Social esclarecer dúvidas na mudança de escalão dos recibos esverdeados. Para quem pára por estas bandas de quando em vez, e lê os textos que por aqui deposito, sabe que eu não nutro qualquer tipo de ódio pelas Segundas. É precisamente o oposto, eu aprecio as pobres coitadas. De tal maneira que depois do que aconteceu, tenha ou não sido coincidência, vejo-me obrigado a reforçar ainda mais esse estatuto de Dia que toda a gente odeia mas que, coitado, ele nem tem culpa nenhuma. E já agora, eu não acredito em coincidências.

 

AVISO: A história que se segue pode conter linguagem real e pessoas autênticas, susceptível de alterar ideias relativamente à humanidade.

 

11h30 ~ Começa a busca por um lugar nas proximidades da Segurança Social de Leiria. A zona é complicada porque, além da dita cuja, reúne também a Câmara Municipal, o Tribunal do Trabalho, etc. etc., enfim, naquela zona arranjar estacionamento é tarefa que espicaça a paciência.

 

11h35 ~ A busca continua: voltas aos quarteirões, inversões de marcha, gargalo esticado em antecipação ao que parecem ser espaços livres mas que na realidade contêm motociclos, blá blá blá e mais voltas que vocês já sabem.

 

11h45 ~ Como eu sou teimoso optimista, decidi que continuaria às voltas até arranjar lugar. «Acontece sempre, quantas vezes não andas à procura de lugar e de repente lá está alguém a sair», dizia cá p'ra comigo.

 

11h45 ~ É durante a imersão nestes pensamentos que ao fazer uma curva acontece o seguinte, mas de forma bem mais calma e controlada:

 

homer

Ah e também não houve travões nem gritos. Também não era o Homer, pode ser importante referir. E também não entrei por uma casa adentro, já agora. Era sim uma senhora com os seus 70? anos, expressão num misto de surpresa/sorriso e passo de corrida em fuga do carro. A cena decorreu toda ela numa espécie de slow motion, em que a filha? está já no passeio a assistir a tudo e se limita a rir da corrida da mãe. Eu retribuí o sorriso de forma espontânea e a cena avançou, com nós os três a afastarmo-nos (tecnicamente eu é que me afastava) cada um com o seu sorriso.

 

11h47 ~ Já algo afastado da Segurança Social e com a cena anterior estampada na face, inverti a marcha com intuito de ir verificar uma vez mais os concorridos lugares do parque, bem no centro dos serviços que referi lá em cima.

 

11h50 ~ Entro no parque, volante à direita, volante à esquerda... E eis que finalmente! está um carro a sair do lugar. Encosto, ligo o pisca (qual ânsia pelo rectângulo de ar e chão) e não é que vou precisamente esbarrar de novo com as senhoras de há cinco minutos. Filha ao volante e mãe no pendura. E tornamos a rir-nos, a condutora acenava e ria-se enquanto passavam por mim. A passageira (e quase atropelada) dizia adeus. E eu fazia o mesmo, acenava e ria-me para duas estranhas enquanto as via passar e lhes levantava o polegar em jeito de agradecimento.

 

11h51 ~ Pego na carteira em busca de trocos para ir despejar na maquineta, saio do carro e:

- Olhe desculpe, o senhor vai ficar muito tempo?"

Olho em direcção à voz e, novamente uma senhora com os seus 70? anos "no meu caminho".

- Não, vou só mesmo esclarecer algumas dúvidas na Segurança Social. - respondo-lhe eu.

- Então olhe, fique com este tiquê que dura até ao meio dia e vinte cinco. Não é muito tempo mas talvez chegue.

 

Tenho pena por não ter assistido à minha reacção. Talvez transparecesse maior quantidade de espanto do que qualquer outra emoção. Com mais um sorriso parvo de agradecimento e um sem jeito movido pelo inesperado.

Agradeci mil vezes à senhora pelo gesto e desejei-lhe um bom dia. Desta vez, comigo no lugar do surpreendido, vi-me acenar e dizer adeus à senhora que entrava no carro. Uma estranha que poderia perfeitamente ter seguido a sua vida, mas que optou por oferecer o bilhete do estacionamento.

 

É incrível como um gesto tão simples consegue ser tão significante. Já nem falo do juntar de ambas as situações e a forma como encaixaram... Foi quase surreal.

Portanto sim, ainda há esperança para nós. Porque estes gestos são os mais contagiantes e porque as coincidências não existem. Queria só deixar isto aqui registado.

 

A quem chegou até aqui, parabéns! E obrigado por terem lido. Bom feriado a todos 

 

soldier children

 

Só mesmo para

...não deixar a semana chegar ao fim sem ter escrito nada por aqui.

 

Se podia queixar-me da falta de tempo? Certamente que sim. Ou pensando melhor... Isto do "não ter tempo" acaba por ser uma ilusão. Pensem comigo:

Falta de tempo para quê? O tempo (pelo que percebo) é igual para todos. As prioridades e ocupações é que já não. Lembrei-me disto ontem durante a viagem de regresso a casa, enquanto tentava gravar mentalmente uma "obrigação" de vir aqui escrever algo. Ou seja, hoje era mesmo prioritário escrever, desse por onde desse.

Uma amiga brasileira costuma usar uma expressão para isto: "quando a gente quer, a gente dá um jeito". Não poderia estar mais de acordo. O grande problema passa por como nos organizamos e pelas prioridades que definimos. 

 

«Não tenho tempo para praticar desporto»  = Levantar 1h mais cedo e fazer uma corrida de 30-40min. Não?

«Não tenho tempo para cozinhar» = Aproveitar dias mais desafogados e preparar refeições para os dias seguintes.

«Não tenho tempo para passear» = E que tal substituir aquela horinha de televisão/computador? Sim, passear agora à noite, os casacos têm de ter utilidade!

«Não tenho tempo para ler» = Ah! Mas para correr o feed do facebook até "ao infinito e mais além" tens. Certo.

«Não tenho tempo nem para respirar» = Aldrabice! A respiração vai-se fazendo em simultâneo com qualquer outra actividade. Excepto estar debaixo de água, vá. E ver os extractos bancários. E a conta da luz nos próximos meses. E outros momentos que não são para aqui chamados.

 

E pronto, era apenas isto. Agora tenho de ir que já estou atrasado 

Bom fim de semana, gente sem tempo!

 

time fire

 

P.S.: Para a semana tenciono postar diariamente, uma fotografia por dia. Segunda logo vos conto melhor.

Breves lorpices #11

Depois de Bob Dylan ter amealhado o Nobel da Literatura, Bono Vox foi eleito "mulher do ano" pela revista Norte Americana Glamour.

É certo que Dylan tem lá as suas letras de cariz literário e Bono tem lutado activamente pela igualdade de sexos. Também eu gosto de fugir à monotonia e ausência de novidade, mas se calhar não é preciso ir tão longe. Digo eu.

 

Pelo andar da carruagem, Teresa Guilherme ainda arrecada o Globo de Ouro para melhor actriz em 2017, Pedro Guerra o Nobel da Economia e a Maria Leal sobe ao palco como representante portuguesa na Eurovisão. Ok vá, esta última não seria assim tão surpreendente.

 

fish

 

Comportamentos ridículos do além

Segunda feira é aquele dia bom, já tinha dito aqui que não desgosto das coitadas das segundas. Partindo dessa onda, quero partilhar convosco uma situação de sábado na qual, agora que escrevo e penso melhor no assunto (Domingo), preciso de esclarecer o meu comportamento. Ouvir umas opiniões, vá, que é como quem diz massajar o ego. Ou achincalhá-lo, eu sei lá.

 

Tudo se passou quando saí do trabalho e entrei no carro. Na Comercial, começava a tocar o seguinte:

 

 

 

O problema começa aqui e julgo dever-se, em parte, ao facto do dia estar arrumado e ter corrido muito bem. O raio da música entrou-me pela pele adentro e até que terminasse, vim a conduzir em modo dançarino: sapateado dos pedais + mudanças metidas ao ritmo da música + volante em modo tambor. 

Chego a casa e vou de imediato pesquisar a dita cuja. É precisamente nessa altura que a espiral de acontecimentos embaraçosos começa:

 

1. Dançar que nem um completo idiota, numa mistura entre o ridículo e deplorável;

2. Agarrar-me a um tripé que serviu de microfone, o qual me dei ao trabalho de ajustar em altura e...

3. ...Pior! fazer movimentos com ele de um lado para o outro, qual aprendiz do Marco Paulo;

4. Continuar a dança em modo imparável até ao final da música e ultrapassar todos os limites quando, a certa altura, o tripé microfone se transformou inevitavelmente numa guitarra.

 

Quando a música terminou, desatei a rir e cliquei no replay. Desta vez já sem danças e só com sorrisos idiotas, limitei-me a dizer em voz alta «mas o que é que foi isto, tens a noção que és um completo anormal, certo?»

E posto isto, não sei o que é pior: se a "dança", se o facto de ter noção do ridículo e, mesmo assim, me rir disso, se o atrevimento da letra e, nesse caso, me deva sentir um galã e possa imaginar-me a usá-la como criadora de clima romântico, qual Zézé Camarinha do Alentejo.

 

Enfim, porque às vezes também há que assumir as merdas e contar as coisas como elas foram realmente, foi esta a minha reacção a uma música que nem costuma fazer o meu género. Até que ponto devo considerar buscar ajuda psicológica? 

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O gajo

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