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Lorpa quase-erudito

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Escaninho quase tão oco como um ovo que não chocou.

Valer a Pena

Tenho este hábito (inserir adjectivo aqui) de, como último recurso na tomada de uma decisão, perguntar-me se valerá a pena fazer ou não algo. Não importa tratar-se de uma decisão usual, ou de uma escolha que aparente ser "de vida ou de morte", é esta a última cartada antes de tomar uma acção.

Na convivência com essa rotina julgo ter aprendido um punhado de lições úteis, que anotei algures em papéis e que, ao reler, desencadearam este texto.

 

Pensar se algo "vale a pena" é, como tudo na vida, bastante subjectivo. Até aqui nada de novo. O problema, apesar da subjectividade, é enganarmo-nos a nós próprios com a pergunta. Isto porque se levássemos a resposta a extremos, nada valeria a pena, não vamos acabar todos por morrer mais tarde ou mais cedo? Quero portanto dizer que, ao fazermos esta pergunta, pretendemos pouco mais além de uma resposta confortável, para não dizer que na maioria das vezes o desejo real passe por uma desculpa interior. 

 

Quanto mais penso nisto, mais associo ao contínuo crescimento de valores narcisistas instalados na sociedade de hoje. Existe um clima de competição constante, numa raça que cresceu mais do que aquilo que é suportável a longo prazo. Longo prazo esse que nos é estampado na mente de forma recorrente: que devemos pensar no futuro, que devemos poupar recursos para um final de vida mais confortável, que devemos planear os nossos dias e as nossas férias, que devemos planear ter filhos e comprar uma casa. Que devemos planear a nossa vida, escrevê-la num papel e seguir os passos. Assinar ao fundo da página um acordo por tempo indeterminado, tal qual a vida.

 

No final pergunto: vale a pena?

Acho que vale a pena tudo aquilo que cada um quiser fazer valer a pena. O que importa é haver uma causa, um motivo pelo qual o esforço seja esquecido e o tempo não seja contabilizado. Sabermos que a morte é obrigatória cria uma pressão e um medo difíceis de explicar. Parece que nos foge a habilidade intrínseca do controlo, da sermos senhores das nossas decisões e do nosso rumo.

Não querer morrer é o extremo limite do narcisismo de hoje. E a prova de que o que vale mesmo a pena é repensarmos as nossas atitudes e o nosso trajecto enquanto espécie.  

 

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