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Lorpa

Lorpa

Divagar devagar #2 - Rancor em copos de litro.

water glass

Não sou rancoroso. Não sou também um completo idiota. À parte disso, algures entre os dois, aprendi que um prato de ódio dá cabo do estômago. Já lhe tomei o gosto outrora. Com o tempo, o paladar aprofundou os estudos e ensinou-me que melhor do que saborear tais coisas, era excluí-las de vez da dieta.

Enquanto caminho pelo mundo da vida, vejo muitas gentes iguais. Conheço algumas, ouço tudo o que têm para me contar. Colecciono as suas ofertas e olho-as com maior atenção. E continuo a ver muitas outras gentes.

Quando avisto num raio maior do que é hábito, percebo que toda a gente gosta de beber alguma coisa do mundo. Vejo que as pessoas precisam de saciar a sede além dos líquidos aquosos. Mais que isso, vejo que certa sede é perdurável ou quase, que copos pequenos não chegam. Vejo copos que custam a caber nas mãos de quem os carrega, que são levados por gerações a mais antes de bebidos até ao fim. E pergunto para dentro: não seria mais fácil despejar um pouco fora? A bebida vale tanto assim?

Talvez seja um problema só meu saber que um dia, algures no tempo que medimos, os copos não valerão nada além de cinzas e esquecimento. Não vão valer nada além do amargo conhecimento arrependido.

E nesse dia, tenho a certeza que encherão um último copo. Haverá um brinde com eles mesmos. Beberão de uma só vez, de olhos fechados em lágrimas. E saberão por fim que teria sido melhor deixar alguns copos para trás.  

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