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Lorpa

Lorpa

Divagar devagar #3 - A vida a ir

walking blur

Quando me perguntam "como vai a vida?", a primeira coisa que me vem à ideia é responder que a vida não vai de maneira nenhuma; que a vida não se desloca daqui para ali. Mas responder assim talvez fosse parvoíce.

E daí penso na vida a ir, contente dela própria com passos de marcha neutra. Vejo-a com aquele ar um tanto ou quanto intocável, trauteando uma canção por mim esquecida. Conheço a melodia, mas não recordo os versos. Talvez se me aproximar.

Arrisco ouvir mais do que aquilo que me compete. E a vida vai-se. Vai-se por ali fora a saltar degraus aos pares. Não há pernas que alcancem tamanha corrida. E vejo-a ir. Disparate.

Cansar-me atrás dela? Para quê? Fica a curiosidade de saber onde iria. Mas a curiosidade diz que mata gatos, nada diz que não me matará também a mim.

Antes esperar. Esperar, que ela volta. Há de contornar o mundo e eu aqui, de guarda aos meus terrenos, qual sentinela desperta. Nessa altura não a deixo fugir, claro que não! Escapou agora porque me distraí. E uma distracção é sempre digna de perdão, mesmo quando se deixou fugir a vida.

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