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Lorpa

Lorpa

Divagar devagar - atrás da noite.

so close so far

 

Num rasgo reflexivo puramente superficial, senti um aroma que me falou às lembranças. Cheirava a infância e sabia a descoberta. Recordei como é fácil sentir. É tão mais fácil que tudo. Basta apenas isso.

Um sentimento, ainda que particular e íntimo, é sempre transmissível mesmo que a gente não queira. Até que não inventem um preservativo para sentimentos, uma gargalhada vai carregar alegria, uma lágrima sincera envolverá a plateia em comoção, o medo dará combustível às hienas da vida e a saudade terá força para levantar aviões.

A nostalgia é diferente. A nostalgia é rainha de espinhos almofadados que só ferram quando apertados de certa maneira. É uma saudade perdida no quintal da casa da vida, escondida como uma criança atrás das mãos. Tão ingénua e tão doce, tão recortada em pedaços que só unem nas histórias longínquas.

Vês e cheiras e sentes e calas. Contudo, quando retornas ao agora, ris. Porque há alguma coisa a percorrer o teu corpo e a confortar a tua alma. Essa coisa manda-te rir. Ordena-te que rias mesmo que chores. Fazes amizade com essa coisa e apresenta-la a quem merece.

Minutos depois, já tens a cabeça ocupada de outra maneira. Já voltaste ao teu trabalho, à conversa com os teus amigos ou já adormeceste simplesmente. E nem deste conta do estado sobrenatural em que deixaste a tua existência.

Se algum dia tiver que escolher apenas um sentimento com que viver para sempre, não precisarei de pensar uma vez sequer. A escolha estará já feita no momento em que quiser responder, lembrando como era fácil responder a perguntas difíceis quando era um garoto.  

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