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Lorpa

Lorpa

Heróis do Mar, Nobre Povo Consumidor

Nunca percebi grande coisa de política. Eleições, debates, orçamentos, economias, leis, etc., sempre fizeram parte daquele grupo de palavras que, sabendo minimamente o que significam, não despertam em mim mais interesse que isso. Contudo, e porque esta coisa do "crescer" é mesmo capaz de nos transformar, tenho dado comigo mais atento aos temas políticos e económicos.

Num desses dias, li um texto do economista João Duque na sua rubrica semanal "Confusion de Confusiones", no Expresso. Continua a remoer-me, pelo que vou deixar aqui as ideias que me andam na cabeça e possa ouvir a vossa opinião deste assunto.

 

Portugal está melhor. Todos sentimos isso, certo?

- O mercado imobiliário teve em 2016 um ano excelente, imediatamente superado pelo fantástico 2017. A procura não parece abrandar e a oferta faz de tudo para dar vazão à insaciável necessidade: edifícios históricos convertem-se em luxuosos apartamentos; lojas e escritórios transformam-se em luminosos rés do chão; garagens expulsam as tralhas e preparam-se para novos inquilinos; anexos arranjam vida turística no Airbnb.

 

- O desemprego continua a baixar. Diz que para encontrarmos números como estes temos de recuar até 2004, altura em que a tristeza se relacionava com uma malta da Grécia. Mas dizia eu, há então mais gente com acesso a empregos e ao ordenado mínimo, que também ele continua a subir aos 20 e 30€ por ano. Também as empresas oferecem melhores condições aos trabalhadores: espaços de refeição com direito a micro-ondas e frigorífico!, máquinas com cafés a 20 cêntimos, cartões de refeição com um valor maior de subsídio de alimentação, descontos em lojas parceiras, enfim, uns mãos largas.

 

- O poder de compra do cidadão comum aumentou. Certo? A Páscoa, do pouco que vi, registou taxa máxima de ocupação no Algarve, Alentejo e Porto. Os restaurantes enchem e começam obras de expansão dos espaços, bem como dos horários dos funcionários e respectivos bancos de horas. A venda de carros novos aumentou. Os lançamentos de novos iPhones e Samsungs esgotaram nas pré-vendas, nas vendas, nas pós-vendas, enfim, venderam bastante diria eu.

 

Portugal está melhor. As nossas casas, carros, telemóveis e roupas novas assim o dizem. 

As contas bancárias, estagnadas e com as poupanças em mínimos históricos, aguentam os nossos créditos e consumismos ponderados. As taxas de juro, ainda por cima!, estão tão baixas. As contas aguentam. E qualquer coisa arranja-se um part-time, que agora é o que não falta para aí.

 

Estamos melhor, sim. Mas acautelem-se. Tem-nos sido apresentada uma "vista desafogada sobre o rio", mas os alicerces da estrutura talvez não sejam tão consistentes assim. Não pensem apenas com base no entusiasmo consumista dos dias de hoje, juntem também uma pitada de bom senso e, acima de tudo, sejam práticos.

 

P.S.: Enquanto escrevia este texto recebi uma mensagem de uma companhia de perfumes a alertar de uma campanha de não sei quantos por cento de desconto, até ao final desta semana. E o meu perfume até está a acabar, pensando bem...

 

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As palavras que ontem me faltaram

Hoje consigo! Hoje já recuperei a voz e o coração já não bate descompassado. A mão direita, que esmurrou a madeira do sofá quando o Éder marcou, está menos moída. Portanto escrevo. Escrevo para imprimir as memórias que eram ontem emoções descontroladas.

 

Algures, num universo paralelo, poderia escrever-se um livro de ficção com esta história:

Um thriller onde a dúvida, o mistério e a ansiedade dominariam os leitores. Onde o nervosismo teceria fios agridoces alternados de choro e sorrisos. Onde o personagem principal morreria perto do fim e toda uma audiência o choraria, gostando ou não. Porque sabiam da importância dele para a história. O leitor descobriria então um final delicioso, um final daqueles que nunca mais se esquece, onde tudo faria sentido. Um final onde, por ironia ou não, surge um figurante carregado de sonhos, de crenças, de convicções. E o figurante pega nelas, segura-as, protege-as e remata-as aos olhos de todos nós.

Então, o leitor tem aquele arrepio inexplicável, aquele orgasmo do intelecto. E as emoções tomam conta de tudo daí em diante.

Esta era a história que daria um livro notável, no tal universo paralelo. No nosso universo, esta é a história escrita baseada em factos verídicos, sem necessidade de adições ficcionais. Basta descrever os acontecimentos.

 

Hoje, deixo-vos estas palavras. As palavras que me faltaram ontem e que deverão guiar a minha memória, sempre que quiser recordar o momento. A todos os que construiram esta memória, a todos os que apoiaram, a todos os que acreditaram... obrigado por terem marcado as nossas vidas! Fizeram-me sentir que esta é a melhor altura para se estar vivo, que não há outro lugar no mundo onde quisesse estar. Que não poderia ter nascido noutro sítio se não aqui, em Portugal.

 

 

Sometimes things become possible if we want them bad enough - T.S. Eliot

portugal wins

 (Imagem retirada daqui)

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